Pude perceber lendo os textos da Interdisciplina: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL, em especial após a leitura do texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” de Regina Hara, que as autoras Emília Ferreiro e Ana Teberoski utilizaram as idéias de Jean Piaget para estudar o processo dos conhecimentos no domínio da língua escrita.Regina Hara em seu texto citou que Emília Ferreiro e Ana Teberoski fizeram grandes descobertas e realizaram estudos baseados neste epistemólogo e psicólogo, evidenciando as conclusões dele sobre as estruturas da linguagem. Elas, com o instrumental piagetiano de investigação em mãos, e levando em consideração alguns de seus conceitos, concluíram por meio deste instrumental que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas relações com o meio.
Portanto, ao ver que Piaget foi uma fonte de aprimoramento conceitual para as duas autoras, eu passei, também, a questionar sobre a minha prática pedagógica. Elas, na minha interpretação e no meu ponto de vista, através da prática e dos testes com crianças, realizados entorno do instrumental Piagetiano, sugeriram-me problematizar mais o conhecimento e a realidade, num processo permanente de elaboração e reelaboração de estruturas de pensamento e dos níveis de consciência. Portanto, conforme a minha visão, eu devo me encaminhar a observar o educando como sujeito que no processo educativo deve encontrar o espaço propicio para recriar e ao mesmo tempo, construir o conhecimento.
Assim sendo, conforme as autoras em questão, apoiadas nas idéias de Piaget, a língua escrita precisa ser vista como um conhecimento apropriado pelo sujeito, à medida que se torna objeto de sua ação e reflexão. No entanto, essa mediação, no contexto de sala de aula, ao meu entender hoje, deve ser propriamente a intervenção docente problematizadora e desafiadora do processo.
Portanto, percebo atualmente, que cabe, ao professor, analisar o seu trabalho cotidiano e perceber se o ponto de partida da sua aprendizagem está sendo o próprio sujeito ou o conteúdo a ser estudado.
Unindo-me as argumentações dessas mulheres, pude transpor todo o conhecimento delas, para a minha realidade de sala de aula e formar a idéia de que, me deixando guiar na direção dos processos de desenvolvimento, caminharei juntamente com a criança, o jovem ou o adulto. No decorrer dessa caminhada, em momento algum devo considerar negativamente a criança ou jovem, bem como o adulto, pelo contrário, devo me gratificar com cada uma das suas conquistas: compreendendo que à medida que essa criança, este adulto ou jovem escreve e lê do seu jeito, mais e mais ela se aproximará da base conceitual do sistema representativo da escrita.

