Durante o oitavo semestre no Curso de Licenciatura em Pedagogia da UFRGS, quando assumi uma turma de quarto ano em meu estágio curricular, ouvi com freqüência na sala dos professores o discurso “eu não levo os alunos na sala de informática porque eu não sei lidar com o computador”. Apesar de inicialmente, em meu estágio, não ter tido uma total autonomia, senti necessidade de me reportar aos conhecimentos prévios, que obtive fora e dentro do âmbito da faculdade, para que pudesse propor da melhor forma um trabalho para ser desenvolvido no laboratório de Informática da escola.Sendo assim, procurei mostrar para a profesora titular da turma que as possibilidades para o trabalho com informática nas escolas são infinitas: produções textuais e leituras acessíveis em qualquer computador, produções de histórias em quadrinhos através de softwares de fácil manipulação, aplicação de aprendizagens através de jogos pedagógicos virtuais, produção de gráficos, figuras, vídeos, trocas de informação em tempo real, entre outros recursos.
Desta maneira, neste estágio curricular planejei algumas atividades com o intuito de demonstrar para a professora titular que o computador dentro da escola pode se mostrar como um mecanismo de acesso para novas experiências, tanto para alunos, quanto para professores, podendo abrir um mundo de novas possibilidades de trabalho, onde é permitido transitar entre diversas linguagens e culturas.
Com a oportunidade e o aval da professora, sem precisarem folhear cadernos os alunos buscaram conhecer um pouco do país que ia sediar a copa do mundo. Sendo assim, devido o início da copa do mundo da África do Sul, decidi abordar o assunto mais abertamente e diretamente, utilizando-me da internet e do computador. Nas aulas falamos sobre a abertura da copa do Mundo e o início dos jogos no dia de hoje. A conversa foi livre e aberta, os alunos falaram sobre suas expectativas e ansiedades. Desta maneira, aproveitando o assunto iniciamos uma conversa sobre a áfrica do sul e os descendentes (negros). Contudo, surgiu o seguinte projeto:
Título: DESCOBRINDO NOVAS CULTURAS E ETNIAS
Tema: afro-brasileira
Objetivo Geral:
* Conhecer elementos da cultura africana, descobrindo sua religião, cultura, formação étnico-racial, formação histórica no Brasil, etc.
Objetivos Específicos:
* Identificar o nível de conhecimento das crianças sobre o universo africano, descobrindo seus conhecimentos prévios a respeito da formação étnico-racial;
* Descobrir o espaço ocupado pelo negro, seus hábitos, costumes, cultura, sua formação histórica no Brasil e formação étnico-racial;
* Perceber a herança étnico-racial e as culturas vinda desde o Brasil colônia;
Roda de conversa:
Quem é o negro? (trabalhar o conceito de cidadania, se ele é "gente"). A partir das respostas introduzir outras questões que possam levantar: como vivem ou como viveram na sociedade? Sofrem ou sofreram algum preconceito?etc.
Após essa atividade propus aos alunos que se dividissem em 5 grupos e solicitei que fizessem uma pesquisa sobre a cultura afro-brasileira, abordando sobre a existência ou não de nações negras aqui na nossa região e sua formação étnico-racial, ressaltando se essas misturas deram origem a novas etnias.
Solicitei que descobrissem todas as informações que conseguissem, na internet e no laboratório de informática da escola, sobre os diferentes aspectos, religião, como sobrevivem e sobreviveram ao longo da história, se sofrem algum preconceito, sua formação histórica no Brasil, as etnias que surgiram da mistura do africano com o branco, enfim a cultura destes povos.
Os alunos registraram essas informações no caderno. Utilizei muito a indagação, o questionamento... será que é bem ássim como está escrito? Será que não houveram outras situações de confronto, preconceito ... nesta história?, será que os "negros" são o que acreditavam que eles fossem? o que é o negro" afinal? Porque ele é importante como todos nós? Ele é diferente de nós em quê? Há tantas diferenças entre nós e eles? e assim por diante.... Toda a pesquisa foi norteada por diálogo, questionamentos, perguntas, troca de idéias e opiniões... E a partir destes "norteamentos" os alunos, com suas palavras e beaseado-se nos escritos, transcreviam para seus cadernos, sempre com o meu tutoramento e acompanhamento. Foi um trabalho cansativo, árduo, mas que forneceu um resultado muito positivo; pois numa atividade simples, e com o apoio dos computadores e da internet, conseguiram perceber o quanto temos da cultura afro em nosso dia a dia e o quanto contribuíram para a construção de nossa identidade social.
Como não poderia deixar de ser, diagnostiquei neste meu estágio curricular, a partir deste projeto criado para ser realizado no laboratório de informática, que eu, ao buscar integrar em meus planos de aula as tecnologias, acabei concebendo, consciente ou inconscientemente, o princípio de que nas salas de aula, também existem diversificados grupos de alunos, mesmo podendo haver relações entre eles, cada um se deixa influenciar mais por este ou aquele aspecto do seu grupo.
Partindo da experiência do meu estágio curricular no oitavo semestre, visualizei que em meu Tcc, deveria ir em busca de autores que me ajudassem a sustentar a idéia de que a educação é um processo comunicacional democrático – que se dá pela participação dos sujeitos escolares na prática pedagógica, a partir de discussões que levem em consideração a dimensão sociocultural.
Sendo assim, para a minha pesquisa, julguei importante encontrar estudos que buscassem explicar a idéia de que a educação não deve ignorar as manifestações cotidianas do ser humano (como o alastramento da internet e das tecnologias de comunicação), como foma de vir, também, dar mais embasamento teórico para a parte do tema que diz A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DIANTE DA DIVERSIDADE CULTURAL, e para o problema que se detêm no delineamento das influências dos aspectos culturais (podendo ser a internet) no processo de construção do conhecimento do educando.




