Na Interdisciplina de Liguagem e Educação, na medida em que fui vivenciando os módulos e realizando a leitura dos textos, fui percebendo que quando adentramos em atividades que trazem a tona o texto escrito e o texto falado, o professor deve ter estruturado para si que a interpretação oral é essencial para transmitir o sentido adequado á uma leitura. "Para que a leitura seja objeto de reflexão, o aluno precisa saber o porquê de estar lendo ou ouvindo de determinada forma". A entonação, a pontuação e o ritmo podem indicar tristeza, alegria, questionamento ou indignação. Para que a garotada perceba essas escolhas, atualmente, penso que duas ações são importantes. A primeira, prévia à leitura em voz alta. O entendimento do texto é essencial para a interpretação oral. A segunda é ressaltar as especificidades do que está sendo lido.
Desta maneira, pensei em uma prática pedagógica que nunca realizei em sala de aula com os meus alunos: por exemplo, levar os alunos a confrontar as próprias estratégias de leitura (pedindo para lerem mais de uma vez) e as dos colegas ilumina semelhanças e diferenças sobre qual tipo de sentimento cada um quis transmitir com seu tom de voz.
Como vem sendo curioso e interessante a Interdiciplina de LIBRAS para a minha compreensão entorno da comunidade surda. Antigamente, jamais sabia ou imaginava que havia discussão entorno da defesa da língua Brasileira de Sinais como a primeira língua e a Língua Portuguesa como a posterior; ou melhor, jamais havia esta noção da importância da LIBRAS na vida dos surdos.
Conseguia ter uma noção do quanto é mais favorável estes utilizarem uma língua em comum, mas não conseguia ter esta noção de que Ensinar Libras é mais do que expôr a criança a dados línguisticos; muito além disto, é um processo de (re)organização constante e dinâmica do “eu” e do “outro”. Assim, invês de apenas inscrever a língua no plano biológico (porque mental), é necessário situá-lo no espaço dialógico (porque social).
Hoje consigo entender que quando estudiosos falam e argumentam que o “oralismo” foi o grande entrave para a automização do surdo, estes quizeram se referir ao poder definidor da surdez enquanto deficiência/incapacidade que subjaz a visão. Já que os surdos envolvidos numa cultura surda, se auto-referenciam como participantes desta cultura, e nesta cultura constrõem suas próprias relações sociais, afetivas e etc, não podemos denominá-los como sendo incapazes, pois pessoas incapazes não conseguem construir redes de relações com a impirtância e qualidade que estes conseguem.
Ao vivenciar neste sétimo semestre as Interdisciplinas de Didática, Planejamento e Avaliação, bem como, a de Linguagem e Educação, passei a refletir sobre a pedagogia de projetos.
Sendo assim, ao me sentir instigado por essa pedagogia, comecei a ir em busca de novas informações. Nesta coleta extracurricular, acabei aprendendo que no campo da educação, clássicos como Dewey e Freinet já apontavam, há cerca de 100 anos, para o valor educativo de atividades de caráter globalizante por sua vinculação com o mundo real.
Ao formular esta concepção, automaticamente lembrei da pedagogia de projetos, pois no campo da educação se vem reconstruindo e se ressignificando as diferentes concepções acerca do Método de Projetos.
No entanto, em nenhuma das Interdisciplinas eu conseguia encontrar um texto ou artigo que me fizesse entender por que poderíamos falar de projetos como sendo uma pedagogia. Desta forma, comecei a ler diversos artigos na área da educação que contemplavam este assunto da pedagogia de projetos.
Através destas leituras acabei formulando a compreensão de que quando falamos em Pedagogia de Projetos estamos nos referindo a uma lógica educativa bastante diferenciada do que se vem fazendo na maioria dos processos educacionais. Mudar a lógica educativa significa romper com tradições, e a Pedagogia de Projetos apresenta diversas propostas de ruptura: romper com a desarticulação entre os conhecimentos escolares e a vida real, com a fragmentação dos conteúdos em disciplinas, em séries e em períodos letivos predeterminados, como horários semanais fixos e bimestres, romper com o protagonismo do professor nas atividades educativas, romper com o ensino individualizado e com a avaliação exclusivamente final, centrada nos conteúdos assimilados e voltada exclusivamente para selecionar os alunos dignos de certificação.
A idéia central da Pedagogia de Projetos é articular os saberes escolares com os saberes sociais de maneira que, ao estudar, o aluno não sinta que aprende algo abstrato ou fragmentado. O aluno que compreende o valor do que está aprendendo, desenvolve uma postura indispensável: a necessidade de aprendizagem.
Após,então, as leituras realizadas na interdisciplina de Didática, Planejamento e Avaliação compreendi que para se integrar na pedagogia de projetos os saberes escolares e os saberes sociais este projeto deve percorrer várias fases, são elas: escolha do objetivo central; formulação dos problemas; planejamento; execução, divulgação dos trabalhos. Para isso, ao se pensar no desenvolvimento de um projeto, três etapas devem ser configuradas: problematização, desenvolvimento e síntese.
Ao vivenciar a interdisciplina da EJA no Brasil estou podendo firmar uma idéia em relação à mesma. Outrora, considerava que a Eja era mais um curso supletivo, onde apostilas eram super valorizadas e que os alunos iam até a instituição para retirar dúvidas e sanar dificuldades de uma maneira mais mecânica, assistencialista.
No entanto, após as leituras pude perceber que esta não tendo esta intenção procura estabelecer em seu cerne vínculos afetivos. Pois ao meu entender agora, na EJA vínculos afetivos modifica o convívio diário e serve como elemento facilitador de aprendizagem. A relação de confiança entre os alunos e destes com os professores é fundamental, pois proporciona o desembaraço, a criatividade, o enfrentamento dos novos desafios. Logicamente esses laços não se estabelecem de maneira forçada ou obrigatória, mas de forma espontânea.
Um dos papéis da equipe de trabalho é proporcionar momentos ou dinâmicas em que promova a interação, a ampliação de saberes e que as histórias de vida sejam consideradas e os vínculos se criem por afinidade e empatia, por encanto ... Obviamente, toda relação ou vínculo, seja de amizade ou profissional, deve ser construída através do respeito às individualidades e vivências trazidas por cada um. O afeto, o saber ouvir, o aprender com o aluno, muitas vezes são mais importantes que algumas formalidades estabelecidas nas práticas escolares.
No entanto, por acreditar antigamente que a EJA era um curso que envolvia as funções de Suplência, Aprendizagem, Qualificação e Suprimento. Em qualquer uma destas dimensões, este ensino, no meu entender, implicava uma estratégia de ação na forma de cursos ou exames. Sendo assim, questões como afetividade, diálogo, amizade, confiança, acabavam ficando esquecidas, ocultadas nesta modalidade de ensino.
Ao realizar a segunda e a primeira atividade na interdisciplina de libras estes me fizeram perceber e reafirmar a idéia de que os surdos são pessoas normais que usam os serviços sejam públicos e privados, que buscam o conhecimento, em muitos municípios brasileiros, organizações e associações vêm se estruturando para da melhor forma encontrar condições de vida com qualidade.
No entanto, não quero dizer que antes não considerava os surdos pessoas “normais, porém achava que os mesmos eram mais fechados, carrancudos. Sabe, não sei porque construí essa impressão deles; Mas é que achava estranho ver tantas caras e bocas quando estes se comunicavam pela língua Brasileira de Sinais, isto me soava um pouco estranho, e aí me sentia mal, porque quando ficava olhando para os mesmos se comunicando, parecia que estava sendo intruso, que estava prestando atenção no papo deles. Mas, como não pertenço a comunidade surda, isto para mim era muito curioso.
Hoje, falar dos surdos já transcende a curiosidade. Sendo assim, já penso que a Libras faz e dá condições para que estes se façam entender, fazendo a diferença e mostrando que o diferente não é não saber falar e ouvir, mas sim saber se fazer entender e ser entendido, seja no seu lar ou na esquina de sua residência.
Desta maneira, hoje considero que não existe nenhuma dificuldade cognitiva que impeça o surdo de exercer sua vida, podendo o surdo desenvolver suas potencialidades como ser humano de maneira ampla e efetiva. Não obstante, atualmente, não considero estes diferentes, da maneira que outrora acreditava serem. Os surdos nem ao menos gostam de serem chamados de deficientes ou de serem reconhecidos como diferentes, já que a palavra “deficiente” ou diferente (quando ligada a este termo) está associada a uma limitação, coisa que não consideram ter, já que a única dificuldade que eles têm é o acesso a sua própria língua, a LIBRAS.