quarta-feira, 17 de setembro de 2008

PROJETOS DE APRENDIZAGEM

Muitos desafios vem proporcionando este V semestre na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. São trabalhos em grupo, pesquisas em equipe e apresentações grupais como a proposta dos projetos de aprendizagem, construído pelo SEMINÁRIO INTEGRADOR V. Aparentemente, isto é favorável. E com certeza o é, pois todos nós sabemos da eficácia e da importância de desenvolvermos trabalhos em grupo nas nossas escolas.
No entanto, ao se tratar de curso a distância, esta situação recebe inúmeras possibilidades. Uma destas possibilidades é a interação dos colegas por meio de chats, e-mails e etc, uma outra, é a pesquisa individualizada que após pode ser compartilhada para o grupo com o propósito de estes acrescentarem, retirarem o que não consideram favorável e aprimorá-los segundo os critérios da maioria. Outra possibilidade é o surgimento de um líder, que encabeçará o grupo, organizando, propondo questionamentos, indagando, e possibilitando a primeira possibilidade e assim por diante.
Porém, para o aluno que encabeça a atividade não é nada fácil, pois este se angustia quando vê a demora do grupo no retorno de produções, conclusões, pensamentos, idéias, argumentos e etc. Certamente, este não pode realizar a atividade individualmente, porque esta não é a proposta contida na atividade grupal. Desta forma, resta-lhe paciência, persistência e uma avaliação adequada da situação.
O líder necessita observar a realidade dos colegas. Suas cargas horárias, suas disponibilidades, suas dificuldades para a compreensão da atividade, conforme, também, nós somos conduzidos a fazermos em nossas salas de aula com os alunos.
Assim sendo, como diz Maturana (2001, p. 43) no texto TRANSFORMAÇÕES NA CONVIVÊNCIA SEGUNDO MATURANA, escrito por Luciane M. Corte Real, proporcionado pela Interdisciplina Psicologia da vida adulta “(...) qualquer relação social depende de assumirmos as capacidades do outro envolvido nessa relação, e, se isso não ocorrer, essa relação deixará de ser social (...)”. Deste modo, o líder, sendo educador, poderá encontrar uma oportunidade para colocar-se no lugar do educando, tentando compreender as dúvidas que seus aluno também constroem em suas aulas, a fim de poder aperfeiçoar o fornecimento das respostas de que os alunos estão necessitando e que estão preparados para ouvir, já que “ (...) diferentes verdades existem, como tantos sujeitos existem, e devem ser respeitadas.“.
Mas, para o aluno que é incumbido de encaminhar o grupo, situações como estas se tornam extremamente assombradoras. Necessita-se, então, de um “equilíbrio” emocional, ainda mais quando este costuma não ficar adiando o que se tem para fazer.
Realmente, este semestre poderá fazer com que eu aprenda a lidar com as diferenças. De maneira que eu aceite as limitações contidas em cada ser humano. Não obstante, poderá colaborar para que eu exercite meu senso de valor, aonde poderei estar vivenciando, mais, concretamente, as possibilidades de poder perceber as qualidades existentes em cada ser, bem como, os esforços que estes realizam para desempenharem o seu papel, mesmo diante de suas limitações. Pois afinal de contas, eu também não sou um ser perfeito por natureza.

MINHA ORGANIZAÇÃO DO TEMPO

Este semestre vem sendo extremamente desafiante, principalmente, porque, estou trabalhando 9 horas e 30 minutos por dia, de segunda a sábado. Ao chegar em casa necessito recuperar as minhas energias e definir meu foco.
O foco acaba sendo o sonho, o desejo, o anseio de concretizar os meus estudos na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. No entanto, não quero, somente, receber um “canudo” da universidade, nem ter um diploma certificando que realizei a minha graduação na UFRGS.
Almejo muito mais do que isso. Quero ter a certeza que no final do percurso, contando, também, com a concretização deste 5ª semestre, irei ter aproveitado todas as propostas de ensino disponibilizadas pela mesma. Desejo ter a convicção que dei o meu máximo em cada Interdisciplina, que procurei compreendê-las de maneira significativa, sempre buscando aplicá-la ou, simplesmente, relacioná-la com a vida, nos seus mais diversos âmbitos (pessoal, social, político, econômico e etc).
Aspiro não carregar um canudo da UFRGS, mas as aprendizagens obtidas através dela. Não cobiço ser só mais um graduando. Espero poder fazer a diferença no meu trabalho, na minha família, no meu bairro, na minha cidade, no meu entorno social. Por isso, ao chegar à minha casa, após um dia inteiro de trabalho, consigo sentar em frente a um computador e ler, refletir, questionar, escrever, argumentar, interagir e fazer tarefas.
Meu objetivo está traçado, por isso venho seguindo integralmente minha tabela de organização do tempo. Posso noticiar com precisão, que nunca esta atividade foi levada tão seriamente, como neste semestre, ou seja, nunca a tabela de organização do tempo havia colaborado tanto para que os meus trabalhos continuassem a ser postados em dia, e para que as aprendizagens continuassem a ser efetivadas.
No entanto, considero favorável ressaltar que não é sempre que sinto vontade de cumprir com os horários destacados na atividade proposta pelo SEMINÁRIO INTEGRADOR. Porém, paro, retorno para a atividade realizada, analiso a minha tabela e percebo que não é uma questão de querer e sim de decisão. Necessito decidir pelo conhecimento, pelo cumprimento das atividades proporcionadas pela universidade, que atualmente, vem sendo o meu foco principal, conforme já citei no transcorrer desta postagem. Caso contrário estarei distorcendo o meu foco, e muito mais do que isso, não estarei me propondo a vivenciar com qualidade este curso.
Estudar exige tempo, disponibilidade, dedicação, empenho e DECISÃO. Cumprir com a minha tabela de horários, não é para, somente, postar as atividades em dia, mas sim, para realizá-las com precisão. Preciso ler, reler, rever e analisar as minhas atividades antes de postar. A questão aqui, não é o comentário que o professor ou o tutor me fornecerá, mas sim, o meu conhecimento, a minha aprendizagem, o meu crescimento como estudante, profissional, pessoa, cidadão e como colega.

EDUCAÇÃO NACIONAL E SISTEMAS DE ENSINO

A segunda atividade construída pela Interdisciplina Organização e Gestão da Educação fez com que os meus “olhos se abrissem” para as competências das esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal) para com a educação e as atribuições dos diferentes Sistemas de Ensino.
Através da leitura dos textos “
Federalismo e Descentralização”, “Responsabilidades das esferas de governo para com a educação” e “Sistemas de Ensino”, escritos por Nalú Farenzena, pude diagnosticar que após as mudanças ocorridas na legislação educacional, visando à segurança da educação pública, ficaram estabelecidas atribuições para a federação brasileira. Nestas, foram propostas o desenvolvimento do ensino através da descentralização do sistema tributário. O mesmo tem como intuito infundir mecanismos de financiamento à educação.
Assim sendo, pude compreender tão claramente, que foi a partir destas mudanças na legislação educacional que, a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional do ano de 1996, determinou que o município é o responsável de fornecer uma educação infantil de qualidade. Da mesma forma, foi através deste fato que na LDB determinou que os estados, ficariam encarregados de garantir o ensino fundamental, ora priorizado pelo município, mas oferecendo preferência para o ensino médio.
Entretanto, foi através do intuito de fornecer para o país mecanismos de financiamento à educação que a união ficou incumbida de organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios (art.9 inciso II LDB).
Através destas abordagens, é que pude compreender que a união, simplesmente fica responsável por coordenar e trabalhar entorno da política nacional, transferindo a maior responsabilidade para os municípios e estados brasileiros. Deste modo, a união torna-se responsável, de acordo com a Constituição Federal, em garantir o ensino superior. Contudo, sob a ação normativa, supletiva e redistributiva da união; o mesmo deve proporcionar assistência técnica e financeira para os entes federados (estados, municípios e Distrito Federal), concorrendo, dessa forma, para a redução acentuada das desigualdades existentes e para a universalização do ensino com melhoria qualitativa.
Portanto, foi através destes conhecimentos que pude “visualizar” a necessidade do agenciamento da justiça no tratamento dado a todos os segmentos do ensino que compõem a educação básica. Assim sendo, pude perceber que necessito assegurar e fiscalizar, como cidadão, se os governos estaduais e municipais, pela via da redistribuição dos recursos e pela contribuição de verbas federais adicionais, estão proporcionando igualdade na capacidade financeira de promoção do atendimento em todos os níveis de ensino e, consequentemente, garantindo a todas as crianças e jovens brasileiros igualdade de oportunidade de acesso à educação, independentemente da localização geográfica de suas residências e do ente governamental a que se encontram vinculadas as escolas as escolas públicas que irão atendê-las.
Contudo, se fez possível que eu formulasse o seguinte pensamento: “Se a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os estabelecimentos de ensino e os docentes exercerem a contento as atribuições que a lei lhes confere poderemos ter no país uma educação básica acessível a todos e de boa qualidade.” Mas o empenho da sociedade também é fundamental e necessário para que as diversas instâncias educacionais cumpram as suas obrigações. Cabe à sociedade organizada (associações de bairro e outras, entidades profissionais, sindicatos, empresas, igrejas, etc.) colaborar e exigir dos Poderes Públicos prioridade absoluta para o ensino fundamental, com a criação de condições de trabalho e a destinação de recursos materiais, financeiros e humanos à universalização da educação básica e à melhoria da sua qualidade, por meio de uma política educacional séria e duradoura.

GESTÂO DEMOCRÁTICA E GESTÃO DA EDUCAÇÃO

Através do texto “Gestão democrática na e da educação: Concepções e vivências” escritas por Isabel Letícia Pedroso de Medeiros e Maria Beatriz Luce, bem como, através da análise do mapa conceitual, proposto pela interdisciplina “Organização do Ensino Fundamental”, pude compreender que a organização escolar em uma perspectiva democrática se dá numa escola onde através da competência dos profissionais da educação, em conjunto com a comunidade, neste espaço legalmente instituído, reúne-se esforços no sentido de equacionar os problemas para que seja criada uma identidade para a escola.
Pensando desta forma, fugimos de uma visão distorcida de democracia. Deste modo, através dos estudos proferidos neste primeiro módulo, pude compreender que para a democracia no contexto educacional se concretizar, ser faz necessária uma avaliação crítica da instituição, onde questões de âmbito sócio político, econômico e cultural em que estão inseridos, sejam levados em conta; num processo participativo, aonde a gestão democrática, podendo ser ele através do projeto político pedagógico, além de buscar a formação da cidadania, garanta o ajustamento do indivíduo ás determinações do mercado.
Perante a esta realidade, este trabalho fez com que eu diagnosticasse que a gestão escolar na escola em que trabalho, procura enraizar estas concepções. Portanto, em sua prática educacional, os pais, alunos, professores e funcionários possuem espaço garantido em seu interior.
Nesse sentido, a instituição de educação, na qual eu desenvolvo o meu trabalho como professor, enquanto escola está procurando definir claramente, numa constante avaliação e reformulação do Projeto político-Pedagógico, com toda a comunidade escolar, que tipo de sociedade, que tipo de homem/mulher, escola, que tipo de relações queremos desenvolver e construir como sujeitos do processo educativo. A escola, enquanto instituição formadora, não quer furtar essa tarefa, sob a pena de não estar cumprindo sua função. Assim sendo, pude compreender que a gestão democrática da escola significa, portanto, a conjunção entre instrumentos formais – eleição de direção, conselho escolar, descentralização financeira – e práticas de participação, que conferem a cada escola sua singularidade, articuladas em um sistema de ensino que igualmente promova a participação nas políticas públicas educacionais mais amplas.

POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DA EDUCAÇÃO

A primeira atividade construída pela Interdisciplina Organização e Gestão da Educação foi de extrema valia. Em primeiro lugar, porque em nosso conturbado dia a dia, não tiramos tempo para refletirmos, adequadamente, sobre a nossa realidade de vida social, abrangendo seus aspectos políticos, econômicos, educacionais, bem como, assuntos ligados à cidadania.
Ao ter que preencher um quadro aonde deveria especificar nossos conhecimentos em relação aos conceitos de democracia, política, globalização, participação, neoliberalismo, políticas educacionais, estado e políticas públicas, deparei-me com incertezas profundas. Percebi que os conhecimentos que obtinha sobre estes temas eram convincentes, mas se tivesse que argumentar a ponto de ter que demonstrar para alguma pessoa que compreendia o assunto, me perderia em perguntas e indagações muito simples. Em primeiro lugar, porque quando defini democracia neste quadro, diagnostiquei através do texto “POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE REDEFINIÇÃO DO PAPEL DO ESTADO”, escrito por Vera Maria Vidal Peroni, que minha primeira impressão necessitava de complementos. Democracia vai além de oportunidades proporcionadas ao povo de eleger representantes. Ter democracia significa proteger os direitos humanos fundamentais do cidadão, como a liberdade para participar plenamente na vida política e cultural da sociedade.
Seguindo este mesmo parâmetro, política não se caracteriza, somente, pela organização da sociedade, tratando assim, da convivência dos diferentes. Ela é um conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e que destinam a resolução pacifica dos conflitos quanto a bens públicos. Ou seja, tudo o que diz respeito a polis, o regime político, os princípios referentes à organização interna da polis, a arte política, a arte de governar os povos, os modelos políticos, o estilo de dirigir um governo, e o poder político, aquilo que fazem os políticos, está ligado a política. Não obstante, as políticas educacionais significam muito mais, do que apenas, organizar a estrutura educacional no seu âmbito maior até o menor (salas de aula), conforme pensava. Políticas Educacionais tem a ver com o projeto cultural, o projeto político de nossa sociedade, de nosso país. Neste processo, suas práticas e implementações visam abranger os ideais, expectativas e desejos do povo.
Sendo assim, a primeira atividade desta Interdisciplina, só me conduziu a adquirir maior poder de argumentação, ou seja, fez com que eu adentrasse em minhas primeiras impressões, e as reformulasse de maneira mais profunda e abrangente, conforme procurei apresentar no decorrer deste texto, ao fazer uma relação de como definia tal assunto, para a maneira pela qual passei a defini-los.