No dia 3 de abril, postei no meu portfólio de aprendizagens um texto demonstrando a importância que os Projetos de Aprendizagens tiveram na minha vida como estudante e profissionalmente, como professor. No entanto, ao adentrar no dia 20 de abril, deparei-me com um questionamento/comentário realizado pela professora Eliana Ventorini.Em umas passagens do seu comentário a mesma disse: “Entendo quando afirmas que muito mais do que avaliar o processo, é necessário reconhecer o esforço, a dedicação, o interesse dos envolvidos. Mas não vejo esses aspectos separados do processo...” e “(...) Então, quando analisamos o "processo", estamos, naturalmente, considerando esses elementos também (esforço, dedicação, interesse, etc.).”.
Sendo assim, passei a refletir sobre estas palavras e percebi que na avaliação formativa nenhum instrumento pode ser descrito como prioritário ou adotado como modelo. A diversidade é que vai possibilitar ao professor obter mais e melhores informações sobre o trabalho em classe.
Assim, os instrumentos devem contemplar também as diferentes características dos estudantes. Deste modo, os instrumentos passam a ser a relevância de uma avaliação, já que, para um aluno se esforçar, se dedicar e se interessar pela matéria ou atividade, conforme descrevi em meus escritos anterior, se faz necessário que o professor vislumbre instrumentos eficazes que venham de encontro aos interesses dos alunos.
Sendo assim, refletindo melhor sobre as minhas palavras descritas no texto anterior a este, percebi que o fator que influenciou a minha aprendizagem foi os vários instrumentos que a interdisciplina utilizou. A mesma realizou atividades de maneira visual, participativa com troca de idéias, com interação professor-aluno e vice e versa.
Contudo, devido à utilização destes vários instrumentos, sem contar o: fórum, pbwiki, MSN, e etc, a avaliação, também, deveria contemplar estes vários instrumentos. Sendo assim, focar-me somente no esforço, dedicação, interesse, conforme delineei anteriormente, não estaria fazendo com que a totalidade do processo de aprendizagem fosse atingida, ou seja, estariam sendo focados, somente alguns fatores mais isolados que num todo, integrariam o processo da avaliação.
Porém, ainda assim acredito que a avaliação não necessita ser tão formal, ou seja, a preocupação do professor não deve ser com roteiros pré-estabelecidos, sua preocupação deve estar direcionada para os registros de aspectos consistentes a respeito do aproveitamento do aluno em torno das áreas trabalhadas, evidenciando os avanços, apontando aspectos, tais como: Áreas do conhecimento que foram trabalhadas; Avanços evidenciados em cada área; Aspectos que precisam ser mais bem desenvolvidos; Sugestões de melhoria; Aspectos do domínio afetivo que foram trabalhados; e etc... Em todos estes fatores existem os processos. Neles, além do esforço, dedicação, interesse, existem outros processos, tais como: a apropriação ( no caso do PA, até tecnológica), reconstrução do saber, entre outros, que também necessitam ser levados em conta para que a atividade possa ser visualizada num tudo.
Afinal, todos nós sabemos que a avaliação não é somente para quem recebe mas para quem faz, ou seja, a cada etapa do processo avaliativo o professor ao eleger alguns aspectos e objetivos para analisar, ao sistematizar essas etapas, ao final terá uma visão geral de como foi a atividade realizada e o seu real significado e importância para os alunos.

Um comentário:
Edivan!
Fiquei muito feliz ao ver que nosso diálogo rendeu uma bela reflexão sobre a avaliação. Essa metodologia de aprendizagem que estamos enfatizando desde o Eixo passado realmente mexe com nossa concepção de avaliação, porque mexe, antes, com nossa concepção de aprendizagem! De acordo com ela, só se aprende se houver motivação/interesse (daí os projetos partirem do desejo/da curiosidade dos alunos); só se aprende se o próprio aluno percorrer o “caminho” do conhecimento, se ele for o artífice, o artesão, o construtor desse conhecimento, para o qual se encontra motivado.
Essa metodologia potencializa o desenvolvimento de várias habilidades ou competências – desde aquelas voltadas ao trabalho em equipe (“co-operação”, colaboração, negociação, diálogo, interação, etc.) até as habilidades cognitivas que dizem respeito ao saber buscar informações, saber selecioná-las de acordo com o contexto da pesquisa que se quer realizar, “produzir” informações (através de uma pesquisa de campo, de entrevistas, por exemplo), interpretá-las, criar algo novo para si a partir delas, escrever com autoria, argumentar, sintetizar, enfim... Quando reconhecemos que um aluno se “esforçou”, se “empenhou” em uma atividade, é importante termos em mente o que isso significa; é importante “traduzir” isso, para que não se torne um simples juízo de valor, vago e sem critério. Se temos objetivos, metas claras, se sabemos onde queremos chegar com tal atividade, que habilidades/competências desejamos que nossos alunos desenvolvam por meio dela, o processo avaliativo se tornará mais tranqüilo, mais transparente para o professor e para os alunos. Como bem observastes, é o professor quem vai definir os objetivos/as metas, as competências/habilidades a serem desenvolvidas pelos alunos. Só a partir disso será possível avaliar, porque o professor saberá “o quê” avaliar! Nesse processo, a intervenção qualificada do professor será fundamental, questionando, desafiando, dialogando, sugerindo melhorias! Isso é “cuidar da aprendizagem” dos nossos alunos, como nos diz Pedro Demo. Para esse autor, avaliar é cuidar da aprendizagem! Isso está no livro “Ser professor é cuidar que o aluno aprenda”.
Abraço forte,
Profa Eliana
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