A interdisciplina de EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS, em especial, vem me proporcionando um crescimento formidável. Antes de estudá-la eu tinha noções mínimas referentes à inclusão das pessoas com necessidade educativa.Para dizer a verdade nunca havia tirado um tempo considerável para estudar este assunto, a não ser a recordação de uma experiência que tive com alunos portadores da síndrome de down e autismo, quando prestei um trabalho voluntário por um mês na APAE de Três cachoeiras quando ainda cursava o magistério.
Mas mesmo assim com esta experiência, muito pouco eu fiquei sabendo sobre os direitos legais, sobre o termo inclusão nas escolas de ensino regular. Enfim, para dizer a verdade, sustentava uma idéia, de certo ponto até não inclusiva, acreditando que estas crianças com necessidade educativa especial precisavam freqüentar somente instituições e centros especializados, já que neste lugar haviam pessoas especializadas e capacitadas para estas crianças.
Hoje, através dos estudos que vim realizando por intermédio desta interdisciplina passei a entender que a deficiência é, em primeiro lugar, um problema social e, por isso, a solução desse problema tem de ocorrer dentro da comunidade em que a pessoa vive. A pessoa com uma deficiência mental tem que dispor dos apoios que lhe permitam um posicionamento em condições de igualdade como cidadão na sociedade, apesar de suas deficiências.
Assim, Apoiada na abordagem histórico-cultural (especificamente nas contribuições de Vygotsky), a psicóloga Maria Sylvia Cardoso Carneiro afirma em seu livro que a deficiência em geral é definida pela maneira como a sociedade acolhe o deficiente. Apoiada nesta abordagem histórico-cultural, a autora mostra que, mesmo diante de alterações orgânicas - sejam elas estruturais ou funcionais do sistema nervoso - é na interação em sociedade que o individuo vai se desenvolver, ou não, como deficiente.
Acontece que, durante muito tempo, as pessoas com deficiência eram segregadas e, sem contato social, não tinha o aprendizado das relações de ação e comportamento. Eles eram consideradas “ingênuas”. Porém não podemos julgar as pessoas, temos que considerar também as condições orgânicas da pessoa.
Condições orgânicas não se limitam à genética. São todas as características do ponto de vista biológico, onde a genética aponta possibilidades. O ser humano se constitui na interação dos aspectos biológicos e sociais.
Podemos pensar em condições mais ou menos favoráveis. Quando as condições são desfavoráveis em um aspecto, temos que investir muitíssimo nos outros. A preocupação deve ser sempre com o ponto de partida, com as oportunidades que cada pessoa tem para se desenvolver. O ponto de chegada, poucas vezes é previsível. O ser humano surpreende!” (Maria Sylvia Cardoso Carneiro).
Ainda que a gente não possa excluir questões genéticas no desenvolvimento, temos que levar em consideração que a inteligência e o conhecimento são coisas que se constroem, independentemente do fator genético. Não existe determinismo social (que exclui qualquer fator inato dos seres humanos).
O grande erro é acreditar que exista qualquer tipo de determinismo e que a vida humana pode ser “determinada” exclusivamente por um único dos seus aspectos. Cada aspecto é relevante (genético, cultural, social, econômico), mas nenhum deles, sozinho, leva a uma solução para todas as questões.
Enquanto acreditarmos que só a genética, ou só o social, ou só o econômico, definem a pessoa, vamos continuar a criar monstruosidades conceituais.

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