terça-feira, 6 de outubro de 2009

ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS: AINDA UM DESAFIO

Pude perceber lendo os textos da Interdisciplina: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL, em especial após a leitura do texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” de Regina Hara, que as autoras Emília Ferreiro e Ana Teberoski utilizaram as idéias de Jean Piaget para estudar o processo dos conhecimentos no domínio da língua escrita.
Regina Hara em seu texto citou que Emília Ferreiro e Ana Teberoski fizeram grandes descobertas e realizaram estudos baseados neste epistemólogo e psicólogo, evidenciando as conclusões dele sobre as estruturas da linguagem. Elas, com o instrumental piagetiano de investigação em mãos, e levando em consideração alguns de seus conceitos, concluíram por meio deste instrumental que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas relações com o meio.
Portanto, ao ver que Piaget foi uma fonte de aprimoramento conceitual para as duas autoras, eu passei, também, a questionar sobre a minha prática pedagógica. Elas, na minha interpretação e no meu ponto de vista, através da prática e dos testes com crianças, realizados entorno do instrumental Piagetiano, sugeriram-me problematizar mais o conhecimento e a realidade, num processo permanente de elaboração e reelaboração de estruturas de pensamento e dos níveis de consciência. Portanto, conforme a minha visão, eu devo me encaminhar a observar o educando como sujeito que no processo educativo deve encontrar o espaço propicio para recriar e ao mesmo tempo, construir o conhecimento.
Assim sendo, conforme as autoras em questão, apoiadas nas idéias de Piaget, a língua escrita precisa ser vista como um conhecimento apropriado pelo sujeito, à medida que se torna objeto de sua ação e reflexão. No entanto, essa mediação, no contexto de sala de aula, ao meu entender hoje, deve ser propriamente a intervenção docente problematizadora e desafiadora do processo.
Portanto, percebo atualmente, que cabe, ao professor, analisar o seu trabalho cotidiano e perceber se o ponto de partida da sua aprendizagem está sendo o próprio sujeito ou o conteúdo a ser estudado.
Unindo-me as argumentações dessas mulheres, pude transpor todo o conhecimento delas, para a minha realidade de sala de aula e formar a idéia de que, me deixando guiar na direção dos processos de desenvolvimento, caminharei juntamente com a criança, o jovem ou o adulto. No decorrer dessa caminhada, em momento algum devo considerar negativamente a criança ou jovem, bem como o adulto, pelo contrário, devo me gratificar com cada uma das suas conquistas: compreendendo que à medida que essa criança, este adulto ou jovem escreve e lê do seu jeito, mais e mais ela se aproximará da base conceitual do sistema representativo da escrita.

Um comentário:

Rosângela disse...

Edivan,

Por mais que tenhamos a certeza de que sempre estaremos diante de uma turma de alunos heterogênea, ainda ficamos presos a um 'ideal de aluno' ao qual todos devem corresponder. Na escrita, isso não é diferente. Cada aluno se apropria da escrita de modo singular e a um tempo que não é igual para todas as crianças. Logicamente que, como professores, precisamos ficar atentos a isso, a fim de buscar estratégias que possibilitem o avanço dos alunos no domínio do conhecimento linguístico. Mesmo depois de alfabetizados, os alunos seguirão caminhos diferentes com relação ao desenvolvimento da escrita, porque tal conhecimento está ligado ao contato que cada sujeito tem com diferentes e variadas formas de escrita. Por isso, conforme tu mesmo destacas, precisamos acompanhar o movimento do aluno, estar atento ao sujeito e não propriamente ao conteúdo de estudo.

Parabéns pela reflexão!
Beijos, Rô Leffa