domingo, 14 de novembro de 2010

POSTAGEM REFERENTE A SEMANA DO 08/11

Para a reflexão entorno das aprendizagens obtidas no sexto semestre do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UFRGS, julguei conveniente trazer á tona um filme que a Interdisciplina do Seminário Integrador no Eixo VI, intitulado “Entre os muros da escola”, nos apresentou. No momento que me pus a recordar sobre ele, relembrei a cena em que o diretor e os demais professores se reúnem na sala dos professores para discutirem sobre as punições. Assim, o diretor da instituição começa a reunião dizendo:

- Há duas semanas, durante a última reunião da comissão permanente os professores sugeriram a introdução de um sistema de penalização por pontos para os alunos baseado no sistema da carta de condução. Se um aluno infringir uma regra, perderá pontos. Como a idéia é dos professores, passo-lhes a palavra. (Diretor da Escola)

Desta maneira, os professores começaram a dar a sua opinião sobre o mesmo. Entretanto, diante de tantos argumentos uma representante da comissão dos pais anuncia:

- Como representante da Comissão de pais, acho que punir é típico da linha de orientação da escola. Estão sempre prontos a penalizar, mas nunca a valorizar os alunos. (Representante do CPM)

Após alguns outros comentários, um outro professor (ator principal do filme), em discordância aos novos comentários diz:

- Aquilo que é chamado de sentimento de impunidade nos dá um espaço de manobra. Quando temos que lidar com castigos demasiado rígidos, não podemos aplicá-los da mesma forma a todos os casos (Professor A).

Logo, ao perceber que alguns professores discordaram de seu ponto de vista, faz uma contestação, dizendo:

- Mas é por haver regras tão estritas que se cria uma enorme tensão. O controle dos celulares, por exemplo. Todos concordam com a regra que os celulares eram proibidos na sala de aula. Desculpem, mas eu quebrei a regra porque não era um problema para mim. Tem de haver um espaço de manobra, uma zona de tolerância (Professor A).

Depois destas discussões, devido aos inúmeros temas que estavam em pauta, o diretor da escola direcionou a conversa para outras situações.
Acredito que quando a mãe de um dos alunos que integrava a mesa declarou a sua opinião “(...) acho que punir é típico da linha de orientação da escola. Estão sempre prontos a penalizar, mas nunca a valorizar os alunos”, indiretamente fez com que eu relembrasse que em nossas escolas, muitas vezes também podemos estar, consciente ou inconscientemente, discriminando nossos alunos na medida que não procuramos contemplar ou trazer á tona a diversidade da turma, podendo ser nos seus aspectos culturais, bem como, nas heterogêneas maneiras de aprenderem e de se colocarem à disposição do conhecimento.
Desta maneira, os conceitos que poderei enfatizar com a cena do filme ao arrolar com as exposições defendidas em meu trabalho de conclusão de Curso por meio deste material didático, são: Identidades; Diversidade; Etnia.
Quando escutei, no filme o ator principal falar em “estado de manobra” baseado nos objetivos especificados em meu Tcc que são: Perceber a influência do entorno social e de aspectos culturais no processo de ensino-aprendizagem dos alunos e; Destacar ações pedagógicas que venham qualificar o processo de construção do conhecimento, diante da diversidade e heterogeneidade de alunos na sala de aula; recorri automaticamente ao fato de que o sucesso da educação decorre da adequação do processo escolar á diversidade dos alunos, e isto, por si só já exige que a instituição entre num “Estado de manobra”; Primeiro, porque quando a escola assume que as dificuldades experimentadas por alguns alunos são resultantes, entre outros, do modo como o ensino é ministrado, a aprendizagem precisa, consequentemente, sofrer um estado de manobra, ou seja, ser concebida e avaliada.
Por outro lado, também, quando esta situação primeira entra num processo de aprimoramento, acaba sofrendo um “estado de manobra”. Assim, esta ao tentar adequar o processo escolar à diversidade dos alunos, ao mesmo tempo, nos dá margens para entendermos que está procurando valorizar o aluno, conforme demonstrou estar preocupada a mãe de um dos alunos que integrava a mesa ao declarar: “(...) acho que punir é típico da linha de orientação da escola. Estão sempre prontos a penalizar, mas nunca a valorizar os alunos”.
Entretanto, debruçado na cena do filme em que a preocupação do professor e da mãe representando os pais dos alunos se intensifica, percebi que meu TCC, ao buscar falar sobre: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DIANTE DA DIVERSIDADE CULTURAL... deveria contemplar e levar em consideração o seguinte aspecto: mudança de atitude face ao Outro. O outro é alguém que é essencial para a nossa constituição como pessoa, e é dessa Alteridade, como procurava dizer estes personagens do filme e anunciou ser imprescindível a Interdisciplina em questão, que subsistimos, e é dela que emana a Justiça e a garantia da vida compartilhada.
Neste sentido, os conceitos abordados na Interdisciplina através deste filme me fizeram entender que em meu Tcc devo deixar explícito que a escola por dever, precisa ser um espaço receptivo, que respeita às diferenças. Não obstante, precisa dar ao currículo escolar um sentido democrático à diversidade cultural presente no espaço escolar.
Contudo, ainda, percebi que como na instituição todos os professores, funcionários e a comunidade escolar careciam entrar num “estado de manobra” por terem o dever de possibilitar um processo educativo por via de acesso ao resgate da identidade dos alunos, aonde a auto-estima e autonomia destes pudessem ser colocadas à prova, em meu TCC deveria considerar que a escola é o ponto de encontro e embate das diferenças étnicas, podendo ser instrumento eficaz para diminuir e prevenir o processo de exclusão social e incorporação do preconceito pelas crianças.

Um comentário:

Rosângela disse...

Oi Edivan,

A escola pública é, em certa medida, um micro-universo da sociedade, pois nela se presentificam todas as diferenças que marcam nossa sociedade: de raça, de nível econômico, cultural,etc. Por tratar-se de um espaço educativo, temos o privilégio de abordar a questão das diferenças em termos de aprendizagem, ou seja, podemos discutir sobre atitudes e comportamentos mais adequados diante dessas diferenças. Mas, tanto na escola quanto em outros grupos da sociedade, vivenciamos, em alguma medida, a alteridade. É o exercício constante da alteridade que pode sufocar um pouco o egocentrismo característico do ser humano.

Beijos, Rô Leffa.