terça-feira, 3 de novembro de 2009

EJA NO BRASIL

Ao vivenciar a interdisciplina da EJA no Brasil estou podendo firmar uma idéia em relação à mesma. Outrora, considerava que a Eja era mais um curso supletivo, onde apostilas eram super valorizadas e que os alunos iam até a instituição para retirar dúvidas e sanar dificuldades de uma maneira mais mecânica, assistencialista.
No entanto, após as leituras pude perceber que esta não tendo esta intenção procura estabelecer em seu cerne vínculos afetivos. Pois ao meu entender agora, na EJA vínculos afetivos modifica o convívio diário e serve como elemento facilitador de aprendizagem. A relação de confiança entre os alunos e destes com os professores é fundamental, pois proporciona o desembaraço, a criatividade, o enfrentamento dos novos desafios. Logicamente esses laços não se estabelecem de maneira forçada ou obrigatória, mas de forma espontânea.
Um dos papéis da equipe de trabalho é proporcionar momentos ou dinâmicas em que promova a interação, a ampliação de saberes e que as histórias de vida sejam consideradas e os vínculos se criem por afinidade e empatia, por encanto ... Obviamente, toda relação ou vínculo, seja de amizade ou profissional, deve ser construída através do respeito às individualidades e vivências trazidas por cada um. O afeto, o saber ouvir, o aprender com o aluno, muitas vezes são mais importantes que algumas formalidades estabelecidas nas práticas escolares.
No entanto, por acreditar antigamente que a EJA era um curso que envolvia as funções de Suplência, Aprendizagem, Qualificação e Suprimento. Em qualquer uma destas dimensões, este ensino, no meu entender, implicava uma estratégia de ação na forma de cursos ou exames. Sendo assim, questões como afetividade, diálogo, amizade, confiança, acabavam ficando esquecidas, ocultadas nesta modalidade de ensino.

Um comentário:

Rosângela disse...

Oi Edivan,

Na verdade, a afetividade deveria estar presente em toda relação de aprendizagem, pois, certamente, os laços de afeto permitem construir uma relação de confiança e abertura ao diálogo. Mas, infelizmente, isso vai se perdendo à medida em que o trabalho pedagógico envolve alunos maiores, adultos principalmente. Isso acontece porque, muitas vezes, a afetividade é entendida como um sentimento maternal e, portanto, pouco apropriado para uma relação que se pretende mais formal/profissional.
Os alunos de EJA, no entanto, são, em sua maioria, adultos e trabalhadores. Pessoas que têm uma grande experiência de vida e construíram um modo particular de ler e compreender o mundo. Um modo diferente do da escola (mas não menos importante). Por isso, na EJA é preciso que o professor articule os saberes do aluno aos saberes da escola a partir de uma relação em que a confiança e o afeto estejam presentes.

Beijos, Rô Leffa